2005-07-20

o erro como justificação para coisa nenhuma

A nova moda do momento é justificar-se a imperfeição evidente numa fotografia, como sendo algo intencional. Assume-se a falha através de uma justificação lógica. Tão lógica que quase somos levados a acreditar que o que se passou efectivamente foi um erro de avaliação nosso e não um detalhe intencional de quem realizou a imagem. E nem sequer me estou a referir a pannings, bracketings mal medidos nem tremuras ostensivas. Reporto-me apenas a formas de representação da realidade, uma realidade concreta, bididmensional onde todos os ingredientes se conjugariam para se obter um resultado aceitável, mas onde surge do nada, aquele pequeno "mas" que estraga tudo.

Depois ainda têem a distinta lata de me vir com justificações do tipo : "aquilo não está mal. foi premeditado".

Faz lembrar o outro que só dizia "Ah e tal...!" mas numa versão daguèrreotipada...

concursos fotográficos. e agora?

Ontem estive a seguir a par e passo o desenrolar de uma entrega de prémios de um concurso fotográfico cá do burgo. Tudo em suporte analógico. Todos os concorrentes tiveram dois dias para seguir à risca as ordens de um regulamento, andar por aí de máquina em riste tentando agarrar uma dúzia de chapas em consonância com alguns temas obrigatórios. O normal.

No entanto, à medida que a esse acto ía decorrendo, dei por mim a cogitar sobre o futuro. Sim. Como é que vai ser a muito breve trecho um concurso fotográfico recorrendo ao digital? Continuarão "ad-aeternum" agarrados ao analógico? Inevitávelmente terá de se dar uma volta nas obrigações dos concursos. Senão vejamos:

Cada vez mais se adquire material digital. Alguem dizia que com um PC em casa, já não fazia sentido continuar-se a gastar no analógico. O digital, à parte o investimento inicial, acaba por ser algo que se paga ao fim de uns 1000 cliques. É verdade. Muito poucos serão aqueles que continuarão a fazer do analógico uma aposta de futuro. Prevejo que dentro de alguns anos, estes bichos estarão apenas em dois ou três locais: Ou na estante para que os nossos netos vejam como se fazia fotografia, ou em museus, indicando o evoluir da espécie, ou apenas em meia dúzia de laboratórios ou na posse de alguns profissionais como maquinaria de apoio. Aqui nas nossas casas, reinará o digital, seja em compactas de qualidade duvidosa, seja em brutos topos de gama das mais diferentes e conceituadas marcas.

E os concursos? Passarão todos para o esquecimento, ou pelo contrário ver-se-ão forçados a abrir as portas às novas tecnologias?

Aproveito para abrir um parêntesis e referir que eu próprio, não consigo ainda mandar as minhas analógicas para a prateleira... mas julgo-me perfeitamente à vontade para discutir esta questão. Não "nasci" na era digital, revelei muitos rolos a p/b e passei muitas horinhas em "laboratórios de revelação" a revelar "à pata" muito filme. O que me dá algum à-vontade para falar nisso. Mas tenho em conta que o digital é o futuro. E nisso não comungo de opiniões bacôcas de puristas que afirmam que o analógico nunca morrerá e mais não sei o quê. Veja-se o caso da Ilford para se ter uma ideia do que se está a passar.

Prosseguindo. Um concurso - exceptuando a parte regulamentar, que dará outros cinco reis de opinião para mais tarde - onde se opte pelo suporte digital, não é de todo impossível de se fazer.

O controle, sim, poderá oferecer alguma resistência acrescida, mas só no que toca ao trabalho que poderá apresentar. De modo a que se evitem "falcatruas" há sempre a hipótese de nos controlos efectuados, se gravar para um CD as fotos feitas pelos participantes, de forma a que em caso de dúvidas se averigue com relativa facilidade e por comparação se os objectos fotografados são ou não do autor que as apresentou. É óbvio que, tal como nos concursos (até nos concursos das descartáveis) analógicos, há sempre uma mãozinha dos laboratórios (ou dos participantes por intermédio destes) que corrigem este ou aquele enquadramento, variam o contraste, brilho ou saturação nesta ou naquela fotografia. E até nestes aspectos, deverá haver alguma tolerância por parte dos juízes da prova.

Haverá eventualmente a opção de se entregar um cartão de memória aos concorrentes no início das provas, mas esta parece-me ser a solução que acarretará mais encargos para as organizações. Pelo menos enquanto os cartões não forem vendidos ao preço da chuva...

Mesmo havendo algum "purismo" quanto ao se poder ou não tratar as fotografias em casa, parece-me que não será por isto que um concurso não se deva realizar. Tal como sempre, devemos estar atentos, na medida do possível, aos avanços tecnológicos que dispomos. E ao se assumir um concurso aberto ao digital (ou exclusivamente) este problema deixará de fazer sentido no futuro. Mas estas ressalvas deverão ser expostas em regulamento apropriado, de modo a que não se caia no erro de estarmos a dar tiros nos próprios pés.

a nova era fotográfica

À dias fui interpelado por um amigo que me dizia que agora, mais do que em qualquer outra altura, nunca foi tão fácil ser-se fotógrafo, pois as digitais permitiam que qualquer um conseguisse fotografar com jeito qualquer coisa que aparecesse. Mais. Dizia ele que se estava a correr o risco de se estar a entrar numa era em que a máquina fotográfica (digital) se estava a tornar num gadget de primeira importância, quase tão importante como se ter casa, carro ou até um telemóvel.

Em parte, mas só numa pequena parte, dou-lhe razão. Algumas digitais, mostram o que as analógicas nunca o permitiram mostrar. O "como" a foto está - ou pode vir a ficar - antes de se premir o obturador. É um facto. Algumas permitem-no com relativa facilidade. Outras não. Limitam-se a mostrar o enquadramento e o resto é um tiro no escuro. Mas este jogar com as funções da máquina permite entronizar alguem no campo da fotografia? Pelo que tenho visto em muitos sites, a minha resposta é não. Tanto vejo pessoas a fazerem verdadeiras fotos com compactas, como outros a não conseguirem fazer nada com DSLR's. Aqui o chavão continua actual: Não é a máquina que faz o fotógrafo.

Ainda se encontra muita gente a tentar adquirir este "kit" em deterimento daquele, pois este contém mais material todo XPTO, mas antes disso, não se dão ao trabalho de estudar minimamente o que quer que seja sobre fotografia. Basta o Manual da máquina "et voilá".

O mais estranho que tenho andado a constatar num site do qual faço parte, é que muitas vezes, noto que estão a entrar pessoas que muito provavelmente ainda nem sequer compraram uma máquina. É talvez uma forma hiperbólica de colocar a questão, mas atendendo aos "conhecimentos" demonstrados, tudo leva a crer que a única crítica fotográfica que conseguem fazer é a crítica ao facto de o Manual da máquina não estar em Português.

Depois há aquele tipo de fulanos que, por terem ouvido "qualquer coisa parecida com não sei o quê", na primeira oportunidade usa-se essa expressão - ou uma coisa parecida - para se apontar o dedo a determinada foto. No entanto, como reflexo mais do que natural, nestas coisas de sites de fotografia, o impulso mais natural, dizia eu, é espiar o trabalho dessa pessoa. E aqui, na maioria dos casos, a constatação é no mínimo, penosa.

Como diz um amigo meu, tambem fotógrafo, "fotografa-se como quem tropeça nas escadas". As fotografias são desprovidas de qualquer mensagem, vazias de conteúdo e paupérrimas no que toca a aspectos básicos como enquadramento, equilibrio, e relação entre velocidade / diafragma. No entanto, neste amontoado de indivíduos, há de facto uma grande percentagem de elementos com máquinas topo de gama ou de gama média-alta.

A fotografia, banalizou-se de vez. É um facto com quem temos de viver. E aprender a viver com a banalização da fotografia, vai ter de ser um reaprender a viver com a inexperiencia de quem está a fotografar pela primeira vez nesta era.

continuação segundo S.Lucas

Adquiri uma máquina nova. Ainda não consegui vender a velha e muito sinceramente não sei se o faça. É-me difícil livrar-me dela. Por muito pouco uso que possa vir a ter, a F717 é sempre uma belíssima máquina para ter como "segunda máquina". Mas esta novata (10D da Canon) está a ocupar-me o tempo e a devolver-me algumas "saudades" de outrora, quando usava as reflexes analógicas. E tem sido um desafio e um retorno que se pretende cada vez mais produtivo.

A exposição que realizei, foi um "sucesso relativo". Relativo porque terá eventualmente falhado na sua localização. Nem tanto pela adesão que teve. O espaço não está "morto" nas horas em que estava aberto, mas tambem não se pode considerar um espaço que as pessoas procurem durante o dia, quer pela sua localização ainda pouco central, quer pelas afluências. O facto de se tratar de um bar, poderia atribuir-lhe uma mais valia num ambiente mais nocturno, mas também sabíamos que à noite, os bares não acendem muitas luzes... e para ver aquilo, só mesmo durante o dia.

No entanto, como referi, obteve um feedback positivo perante o público que a ela acorreu, e abriu novos horizontes e novas propostas para outras mostras do género, com mais exemplares e quem sabe com mais autores. Existem algumas marcações em agenda, o que já de si, mostra bem a vontade que existe em mostrar o trabalho noutros lugares. Quanto a eternizar o assunto em livro, isso é uma coisa a pensar. Se aparecer algum mecenas...

Outra coisa que me levou a afastar um pouco dos blogues foi também a reabertura da minha galeria online. Esteve "fechada para obras" durante algum tempo. Os parcos conhecimentos que tinha de programação ou de construção de sites não me permitiam torná-la mais fluida e mais leve. Com a ajuda preciosa de um amigo, lá consegui trazê-la de novo à vista de todos. Agora é "ir enchendo aquele espaço", sempre que apareça algo que valha a pena. (ou pelo menos, que eu julgue valer a pena...)

cheirai as florzinhas do campo

Um tipo de fotografia que me irrita solenemente é a de florzinhas. Porque não exige grande esforço. Elas estão ali, quietas, à espera que alguem lhes aponte a máquina e dispare. Nem sequer fazem um pequeno esforço para mudar de côr, de forma ou de tamanho.

São simples flores. Isoladas ou em "bouquet". Irrita-me toda aquele marasmo. Aquele tédio de ser e apenas ser qualquer coisa. Do ponto de vista da fotografia, apenas servem para catálogo botânico. Raro é o olhar que a desbanaliza. Um dente-de-leão é tão importante como uma "Vinagreira"; uma Orquídea tão ôca quanto um Lírio.

Em tempos, fiz parte de uma comunidade de fotografia on-line, entretanto já extinta, que tinha uma particularidade interessante. A grande maioria das flores fotografadas, não era de cá. Eram todas "importadas" do Brasil. Enquanto que a nossa flora é mais restrita, onde as giestas se misturam com pedregulhos e os malmequeres se encontram não raras vezes a disfarçar "plantações de entulho", no outro país, tambem dada a sua dimensão e características, a variedade é imensa.

Mesmo assim, ao fim de umas 20, é como se já tivessemos visto todas. Fundo invariavelmente esverdeado, e uns salpicos de cor aqui e acolá e aí está a "fórmula mágica" para se obter mais uma foto igual a tantas outras para fazer as delícias de qualquer Mrs. Marple que apareça lá por casa para tomar chá.

Há muitas coisas que me confundem os neurónios... mas oportunamente referirei aqui.

usos e abusos

É detestável dizê-lo, mas a fotografia neste momento, é a arte mais puta de todas as artes.

Refiro-me óbviamente à fotografia enquanto manifesto artístico divulgado on-line. Porquê? Porque simplesmente, à distância de meia-duzia de cliques (no máximo dos máximos), sacamos para o nosso PC um Ansell Adams, um Henri Cartier-Bresson ou o trabalho de um qualquer fulano que passe a vida a fotrografar minhocas.

E de muitas, uma... ou as guardamos no PC, ou as imprimimos numa folha de papel e colocamo-las numa parede lá de casa, usamo-las como elemento num trabalho qualquer que se faz "na net", usa-se num documento qualquer, página pessoal... enfim... usamo-la de qualquer modo, sem que haja antecipadamente uma salvaguarda pelos direitos de autor.

Quantas e quantas vezes deparamos com informação proveniente de qualquer ponto do planeta com um logotipo, foto ou texto, proveniente de um qualquer site fotográfico, sem que se faça antecipadamente um pedido expresso de autorização ao seu autor? Que trabalho universitário não recorre a bancos de imagens ou sites-portfólio, para ornar os relatórios apresentados?

Quantos Blogs não grassam por aí com fotos de terceiros, sem qualquer referencia ao seu autor?
Soube do caso de um colega que viu uma foto sua a ser (ab)usada num site institucional, assim sem mais nem menos, onde essa foto foi cedida para um fim, e tendo sido usada para o que se propôs, foi mais tarde usada nouto propósito sem pejo algum nem salvaguardando a obra artística de quem quer que fosse. Nem a porcaria de um "nome" a foto levou. Mas usou-se. Que era isso o mais importante para quem a quis usar.

Dentro do meio fotográfico, não raras vezes, deparamos com objectos fotografados de nossa autoria, completamente desvirtuados e modificados digitalmente? Ainda à dias, alguem alertou para o facto de haver alguem num blog que tinha usado algumas fotos de autores portugueses, mas que cínicamente tinha colocado uma marca de água com identificação própria, sacando assim, todos os "direitos" sobre a obra fotografada.

A arte fotográfica on-line é uma arte puta. Dá para toda a gente. Não se limita a ser algo observável. Não serve de exemplo para quem quer que seja, que pegue naquilo que viu e saia para a rua para tentar fazer igual, pior ou melhor. Se está ali tão perto, porque não ficar logo com ela...?

Safam-se todos os artistas que mostram as suas fotos em formatos reduzidíssimos. Um JPEG com baixa resolução e 300pixeis no lado maior, safa-se mais depressa pois à partida inibe que qualquer redimensionamento não provoque artefactos e aberrações, que se notam valentemente em reprodução. Disse "inibe", mas não de todo. Quem quiser usar as fotos, usa-as na mesma e "esquece-se" do autor. Ponto final.

A lei de protecção de direitos neste campo específico deveria ser mais detalhada. O digital traz um grande problema que é a prova de unicidade. Como provar que uma fotografia digital pertence a determinada pessoa? No filme, isso é fácil. Há sempre o negativo... mas no digital...

Ressalvo óbviamente todos aqueles que ainda vão tendo o bom senso e a delicadeza de citar a fonte da fotografia usada. Mas são muito poucos... muito poucos mesmo.

postalinhos e outras merdas

Se há coisa que me irrita nas fotografia é não termos por vezes a noção do ridículo quando nos apegamos a determinado tema e não o largamos. É um pouco como aquele fotógrafo que era tão bom e tinha material todo "xpto" mas que passou toda a vida a fazer retratos tipo passe sem saber, poder ou conseguir sacar algo mais do que as ventas de uma população. Os postais urbanos são o cliché mais que abusado. paisagens bonitinhas de fins de tarde junto ao mar e florzinhas, são os clientes que se seguem.

Nos primeiros há uma nítida tendência para se procurar o que já está feito. Há aquela sensação que conseguimos fazer melhor do que está à venda nos quiosques e que burros foram os da gráfica que não conseguiram ver que fotografámos mil vezes melhor do que o "nabo" que as pôs em circulação.

Aqueles por-de-sóis bucólicos, tirados desde Caminha a Vila Real de Santo António, são quanto a mim o mais kitch que possa existir. Ficam bem em postalinhos com os ditos de S.Paulo aos Coríntios mas pouco mais. Porquê? Porque simplesmente os elementos que compõem essas fotos são invariávelmente os mesmos: uma ondinha a rebentar, o sol a beijar o horizonte, uma gaivota a planar e aqui e acolá, um casalinho agarrado ou de mãos dadas a passear à beira mar. E a coisa não varia. É tão "comercial" como o puto ranhoso e chorão que se vende já emoldurado em qualquer feira popular e que faz as delícias de qualquer sala comum de um qualquer português que se preze. É como comer um puré de batatas com batatas a acompanhar...

As florzinhas são um problema idêntico. Vêem-se de todos os géneros menos aqueles que se calhar deviam ser fotografados. Malmequeres aos montes, rosinhas e mais rosinhas, um gladíolo aqui, um cravo acolá e não passa disto. Cactos, nem vê-los! Dentes-de-leão só quando o rei faz anos e aquelas flores que merecem uma atenção mais especial devem estar catalogadas como espécies em vias de extinção, pois nunca aparecem.

Depois, existe uma tendência quase sobrenatural que os impele a catalogar este último "tema" como se tratando de macros. "Macros de quê?", costumo questionar? "Desde que tenha pétalas, é macro... "balhamedeuss!"

E há distos aos pontapés nos portfólios de qualquer artista. Aliás, esta deve ser a "fórmula mágica" de qualquer amador que se preze. Levar um tema até à exaustão. cair na monotonia do tema e escusar-se a enveredar por outras temáticas.

Chega a meter fastio tanta "diversidade" junta...

manias da observação

Uma das principais razões que me levaram a criar este blog é a sátira. Dá-me gozo apreciar as leituras que cada um faz sobre determinado boneco. Como da mesma forma as minhas apreciações serão motivos de chacota. Mas o que mais me salta à vista, é a explosão de "lugares comuns" e de frases "feitas" que servem de propósito para a avaliação. Uma coisa é não se gostar do uso de determinadas técnicas ou maneiras de se ver as fotos; outra completamente diferente, é o deixar-se levar pelo chavão em deterimento do teor da mensagem da foto ou da intenção com que foi pensada e feita. É como os "horizontes tortos".

Ele há horizontes tortos de todas as formas e feitios. Até numa cadeia montanhosa há horizontes tortos, o que me mete alguma confusão. Em alguns casos, um horizonte torto é precisamente o "toque" que transmite mais dinâmica e força a uma foto. Noutros, obviamente, será uma aberração. Mas a forma mais ridícula de se constatar isto é quando o observador refere quantos graus de inclinação a foto tem. Houve quem um dia dissesse que uma foto estava inclinada "0.55 graus para a direita". Mas era exactamente a mesma pessoa que uma vez não me disse nada a respeito de uma outra foto que esta estava inclinada 180 graus para ambos os lados.

Depois, é interessante constatar que a noção de linha de horizonte é uma noção muito própria. Uma margem de um rio por exemplo. A presença de linhas verticais é relegada para segundo plano. Se a margem estiver vista em perspectiva, o melhor que se tem a fazer é endireitá-la. Nem que para isso se "entortem" postes de iluminação ou as pessoas que lá se encontrem. Pior é quando se lêem estas coisas por pessoal que deveria já ter um traquejo enorme, mas enfim...
Uma outra foto, tirada segundo o autor, numa depressão numa praia em redor de umas dunas, foi motivo da mesma apreciação.

Para quem observa, uma linha que atravesse o fotograma de lado a lado é automáticamente definida como uma "linha de horizonte". E nem interessa sequer saber se há acidentes geográficos pelo meio ou não. Estou certo que se o fotógrafo se enfiasse dentro de uma tampa de esgoto e fotografasse o que visse acima de si, o bordo do buraco era a "linha de horizonte" e mal dos seus pecados se fosse daquelas redondas, pois havia de dar um "efeito" engraçado.

a minha pancada pela fotografia

É sempre assim... Mais cedo ou mais tarde resolvemos armar-nos em artistas e achar piada às geringônças estanques que fazem uns retratos. Era eu um puto ainda quando me vieram parar às mãos uma Agfamatic 50 e uma Halina. Alguns anos mais tarde, entra pela casa adentro uma ASAHI PENTAX K2 . Um pedido que o meu pai fez, a um tio meu que se deslocava ao Japão. Não era nada comparada com a MINOLTA Hi-Matic 7 (1963) que ele tinha, com mais armadilhas que me comiam as pontas dos dedos ao calibrar a sensibilidade do rolo ou a mudar de fotograma. A "nova" com uma lente de 50mm a f/1.4 foi a melhor professora que me passou pelas mãos. A sua robustez e manejo eram qualidades mais que convidativas para um míudo com vontade de aprender algo mais do que simples fotos de viagens de família.
Um dia ainda a "artilhei" com uma Carl Zeiss Jena SuperZoom 75-300mm mas para um garoto, aconselhava-se um tripé e um disparador. O "coice" era demais para um míudo desprotegido e o seu meio quilo mais o quilo de máquina quase impossível de suster em exposições mais longas. Decidi arriscar por outra que me desse "menos coices". Adquiri uma Olympus IS-1000 acabadinha de estrear a nível nacional.

A PHOTO fartava-se de dizer maravilhas e eu fui atrás disso. E fartei-me de dizer maravilhas até ao dia em que ma gamaram. Quer dizer, ainda digo maravilhas da máquina, embora em pensamento. Fazia o que um gajo queria sem termos de fazer muitas contas. Dava luta experimentar as suas potencialidades da mesma forma que dava luta regatear o preço das pilhas que a sustentavam. Normalmente ficava-me pela primeira opção de gozo...

Com esta perda, voltei para a PENTAX, a mesma que me dava coices. E andei com ela o tempo que pude até notar uma manchas esquisitas sempre nos mesmos sítios nas fotos. A humidade tinha-a atacado com força, os fungos acharam que aquelas lentes eram um habitat porreiro e passei-me para mais uma concorrencia. Como as finanças andvam um pouco aquém daquelas que eu tinha em sonhos, adquiri uma CANON EOS300. Muito "boa" para poder retomar o vício, mas com a chegada do digital, foi um ano régio que só acabou com o golpe que a SONY DSC-F717 desferiu.