2005-07-20

cheirai as florzinhas do campo

Um tipo de fotografia que me irrita solenemente é a de florzinhas. Porque não exige grande esforço. Elas estão ali, quietas, à espera que alguem lhes aponte a máquina e dispare. Nem sequer fazem um pequeno esforço para mudar de côr, de forma ou de tamanho.

São simples flores. Isoladas ou em "bouquet". Irrita-me toda aquele marasmo. Aquele tédio de ser e apenas ser qualquer coisa. Do ponto de vista da fotografia, apenas servem para catálogo botânico. Raro é o olhar que a desbanaliza. Um dente-de-leão é tão importante como uma "Vinagreira"; uma Orquídea tão ôca quanto um Lírio.

Em tempos, fiz parte de uma comunidade de fotografia on-line, entretanto já extinta, que tinha uma particularidade interessante. A grande maioria das flores fotografadas, não era de cá. Eram todas "importadas" do Brasil. Enquanto que a nossa flora é mais restrita, onde as giestas se misturam com pedregulhos e os malmequeres se encontram não raras vezes a disfarçar "plantações de entulho", no outro país, tambem dada a sua dimensão e características, a variedade é imensa.

Mesmo assim, ao fim de umas 20, é como se já tivessemos visto todas. Fundo invariavelmente esverdeado, e uns salpicos de cor aqui e acolá e aí está a "fórmula mágica" para se obter mais uma foto igual a tantas outras para fazer as delícias de qualquer Mrs. Marple que apareça lá por casa para tomar chá.

Há muitas coisas que me confundem os neurónios... mas oportunamente referirei aqui.