2005-07-20

manias da observação

Uma das principais razões que me levaram a criar este blog é a sátira. Dá-me gozo apreciar as leituras que cada um faz sobre determinado boneco. Como da mesma forma as minhas apreciações serão motivos de chacota. Mas o que mais me salta à vista, é a explosão de "lugares comuns" e de frases "feitas" que servem de propósito para a avaliação. Uma coisa é não se gostar do uso de determinadas técnicas ou maneiras de se ver as fotos; outra completamente diferente, é o deixar-se levar pelo chavão em deterimento do teor da mensagem da foto ou da intenção com que foi pensada e feita. É como os "horizontes tortos".

Ele há horizontes tortos de todas as formas e feitios. Até numa cadeia montanhosa há horizontes tortos, o que me mete alguma confusão. Em alguns casos, um horizonte torto é precisamente o "toque" que transmite mais dinâmica e força a uma foto. Noutros, obviamente, será uma aberração. Mas a forma mais ridícula de se constatar isto é quando o observador refere quantos graus de inclinação a foto tem. Houve quem um dia dissesse que uma foto estava inclinada "0.55 graus para a direita". Mas era exactamente a mesma pessoa que uma vez não me disse nada a respeito de uma outra foto que esta estava inclinada 180 graus para ambos os lados.

Depois, é interessante constatar que a noção de linha de horizonte é uma noção muito própria. Uma margem de um rio por exemplo. A presença de linhas verticais é relegada para segundo plano. Se a margem estiver vista em perspectiva, o melhor que se tem a fazer é endireitá-la. Nem que para isso se "entortem" postes de iluminação ou as pessoas que lá se encontrem. Pior é quando se lêem estas coisas por pessoal que deveria já ter um traquejo enorme, mas enfim...
Uma outra foto, tirada segundo o autor, numa depressão numa praia em redor de umas dunas, foi motivo da mesma apreciação.

Para quem observa, uma linha que atravesse o fotograma de lado a lado é automáticamente definida como uma "linha de horizonte". E nem interessa sequer saber se há acidentes geográficos pelo meio ou não. Estou certo que se o fotógrafo se enfiasse dentro de uma tampa de esgoto e fotografasse o que visse acima de si, o bordo do buraco era a "linha de horizonte" e mal dos seus pecados se fosse daquelas redondas, pois havia de dar um "efeito" engraçado.