2005-07-20

postalinhos e outras merdas

Se há coisa que me irrita nas fotografia é não termos por vezes a noção do ridículo quando nos apegamos a determinado tema e não o largamos. É um pouco como aquele fotógrafo que era tão bom e tinha material todo "xpto" mas que passou toda a vida a fazer retratos tipo passe sem saber, poder ou conseguir sacar algo mais do que as ventas de uma população. Os postais urbanos são o cliché mais que abusado. paisagens bonitinhas de fins de tarde junto ao mar e florzinhas, são os clientes que se seguem.

Nos primeiros há uma nítida tendência para se procurar o que já está feito. Há aquela sensação que conseguimos fazer melhor do que está à venda nos quiosques e que burros foram os da gráfica que não conseguiram ver que fotografámos mil vezes melhor do que o "nabo" que as pôs em circulação.

Aqueles por-de-sóis bucólicos, tirados desde Caminha a Vila Real de Santo António, são quanto a mim o mais kitch que possa existir. Ficam bem em postalinhos com os ditos de S.Paulo aos Coríntios mas pouco mais. Porquê? Porque simplesmente os elementos que compõem essas fotos são invariávelmente os mesmos: uma ondinha a rebentar, o sol a beijar o horizonte, uma gaivota a planar e aqui e acolá, um casalinho agarrado ou de mãos dadas a passear à beira mar. E a coisa não varia. É tão "comercial" como o puto ranhoso e chorão que se vende já emoldurado em qualquer feira popular e que faz as delícias de qualquer sala comum de um qualquer português que se preze. É como comer um puré de batatas com batatas a acompanhar...

As florzinhas são um problema idêntico. Vêem-se de todos os géneros menos aqueles que se calhar deviam ser fotografados. Malmequeres aos montes, rosinhas e mais rosinhas, um gladíolo aqui, um cravo acolá e não passa disto. Cactos, nem vê-los! Dentes-de-leão só quando o rei faz anos e aquelas flores que merecem uma atenção mais especial devem estar catalogadas como espécies em vias de extinção, pois nunca aparecem.

Depois, existe uma tendência quase sobrenatural que os impele a catalogar este último "tema" como se tratando de macros. "Macros de quê?", costumo questionar? "Desde que tenha pétalas, é macro... "balhamedeuss!"

E há distos aos pontapés nos portfólios de qualquer artista. Aliás, esta deve ser a "fórmula mágica" de qualquer amador que se preze. Levar um tema até à exaustão. cair na monotonia do tema e escusar-se a enveredar por outras temáticas.

Chega a meter fastio tanta "diversidade" junta...

1 Comments:

Anonymous AVSousa said...

Ó c'um caraças! Então não tinha eu já comentado a merda deste tópico?

Um abraço

10:09 da tarde  

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